Vem chegando o verão...
Com a aproximação do verão, as preocupações com o corpo invadem ainda mais as cabeças. O tema comida está na boca das pessoas. E de comida se converte em dieta. Comida, peso e dietas...
No reino dietético, a comida desperta desejo e culpa. Resistir a tentação não é fácil. Comer passa a ser um ato acompanhado de sentimentos de culpa, pecado e expiação. A fita métrica, o espelho e a balança vão dar o veredicto. Em nome da estética corporal e da juventude eterna, os vencedores da luta contra o pecado de comer são os magros e belos.
A importância dada à imagem do corpo longilíneo e magérrimo vem ganhando relevo nos últimos anos. Daí advém um equívoco: corpo perfeito passa a ser confundido com sucesso e êxito. Estas características falam da cultura pós moderna em que estamos inseridos. Representam a migração dos valores internos para as aparências.
O corpo ganha o estatuto de superastro da nova moda. Cada parte do corpo, dos pés à cabeça, é matéria-prima para a inscrição da cultura e para as modulações do desejo próprio e alheio. Entram em cena os sacrifícios para tornar o corpo a imagem dos desejos do outro. Corpo como produto. Corpo como local de consumo. Corpo como forma física e imagem.
Esses paradigmas contemporâneos têm efeito expressivo para a mulher que tem sua imagem explorada de forma exagerada pela mídia. Para ser socialmente aceita, a mulher deve moldar seu corpo conforme os padrões de mercado.
Qual será o destino de um sujeito que se alimenta do ideal do corpo perfeito? Há uma convocação para que o corpo impere sobre o ser, como um substituto para o vazio emocional. Frente a este chamamento, como assegurar uma existência além das imagens, mais além das aparências?
Rosita Esteves - Psicanalista, Professora da Universidade de Caxias do Sul.

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