Anorexia, Bulimia e Obesidade

Tuesday, January 31, 2006

Fonte de Prazer

O corpo é a primeira fonte de prazer no início da vida através do contato inaugural do vínculo do bebê com sua mãe. É o prazer auto-erótico. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento outras fontes de prazer vão emergindo. Na cultura atual o corpo vem ganhando um espaço super importante. Deve estar na medida certa, sarado, magérrimo, perfeito. Não há nenhum problema em cuidar do corpo, aliás, é recomendável. O problema surge quando o corpo passa a valer mais do que a pessoa que o habita. Aí se corre o risco da busca do corpo ideal à custa de um vazio interior, quando a aparência prevalece sobre o ser. A qualidade da vida não é medida pela balança, mas sim pela harmonia interna e o prazer que advém dos relacionamentos afetivos e da realização nas atividades desenvolvidas, enquanto estudo e trabalho.
Rosita Esteves - Psicanalista e professora da Universidade de Caxias do Sul.

Wednesday, January 18, 2006

Anorexia e Mídia

A anorexia, assim como outros transtornos alimentares, é considerada uma patologia atual. À primeira vista, estas patologias são rapidamente associadas aos padrões contemporâneos de beleza e estética propostos pela mídia. Estudos apontam que ela exerce é um fator desencadeante, ou seja, a mídia presente na cultura é um motivador no desenvolvimento destas patologias. No entanto, não há uma relação exclusiva entre a mídia e o aparecimento destas. A prática clínica prova que há outras questões para além da estética proposta pelos outdoors. Atrás da recusa a alimentar-se, outra recusa também está sendo feita.
Os primeiros relatos de anorexia remetem a Idade Média. Diz-se que Liduina de Shiedam, santa do século XIV, permaneceu muito tempo alimentando-se apenas de pequenos pedaços de maçã. Outros registros remetem a outras santas como Wilgefortis que, para afugentar a atenção masculina para sua beleza jejuou tanto que seu corpo cobriu-se de pelugem. Estes são dois exemplos para ilustrar que a anorexia, na Idade Média, estava atrelada a fatores específicos da cultura da época: a beatitude reverenciada pelo ideal religioso. Referindo-se a estas patologias, a cultura é a cobertura de um bolo cujo recheio é de um sabor indefinido e misterioso.
Eduardo Bremm - Acadêmico do curso de Psicologia da Universidade de Caxias do Sul

Tuesday, January 10, 2006

O melhor amigo

Em uma sociedade obcecada pelo culto ao corpo, em que ser magro é o padrão fundamental de beleza, as crianças gordinhas costumam ser alvo de críticas e apelidos depreciativos por parte dos colegas de escola e até mesmo dos adultos que as cercam. Para as mais sensíveis, este ataque à auto-estima provoca fechamento, isolamento e retração de atividades. Por vergonha de sua aparência, muitas crianças evitam ir à praia ou à piscina, praticar esportes ou até mesmo freqüentar a casa dos amigos. Este sentimento de inadequação resulta em ansiedade e insegurança que, por sua vez, estimula o desejo de comer ainda mais para compensar o desconforto.
Embora seja verdade que a obesidade deve ser combatida assim que se manifestar, os pais não devem cair em paranóia e nem transmitir para a criança a noção de que só é bonito e bem sucedido quem for magro. Esse comportamento extremo pode, mais tarde, levar a desordens alimentares gravíssimas como a anorexia e bulimia.

Cheila Tasca - Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade de Caxias do Sul