Anorexia, Bulimia e Obesidade

Friday, December 30, 2005

Vem chegando o verão...


Com a aproximação do verão, as preocupações com o corpo invadem ainda mais as cabeças. O tema comida está na boca das pessoas. E de comida se converte em dieta. Comida, peso e dietas...
No reino dietético, a comida desperta desejo e culpa. Resistir a tentação não é fácil. Comer passa a ser um ato acompanhado de sentimentos de culpa, pecado e expiação. A fita métrica, o espelho e a balança vão dar o veredicto. Em nome da estética corporal e da juventude eterna, os vencedores da luta contra o pecado de comer são os magros e belos.
A importância dada à imagem do corpo longilíneo e magérrimo vem ganhando relevo nos últimos anos. Daí advém um equívoco: corpo perfeito passa a ser confundido com sucesso e êxito. Estas características falam da cultura pós moderna em que estamos inseridos. Representam a migração dos valores internos para as aparências.
O corpo ganha o estatuto de superastro da nova moda. Cada parte do corpo, dos pés à cabeça, é matéria-prima para a inscrição da cultura e para as modulações do desejo próprio e alheio. Entram em cena os sacrifícios para tornar o corpo a imagem dos desejos do outro. Corpo como produto. Corpo como local de consumo. Corpo como forma física e imagem.
Esses paradigmas contemporâneos têm efeito expressivo para a mulher que tem sua imagem explorada de forma exagerada pela mídia. Para ser socialmente aceita, a mulher deve moldar seu corpo conforme os padrões de mercado.
Qual será o destino de um sujeito que se alimenta do ideal do corpo perfeito? Há uma convocação para que o corpo impere sobre o ser, como um substituto para o vazio emocional. Frente a este chamamento, como assegurar uma existência além das imagens, mais além das aparências?

Rosita Esteves - Psicanalista, Professora da Universidade de Caxias do Sul.

Tuesday, December 27, 2005

Obesidade

A obesidade é uma condição complexa, determinada por fatores genéticos, do desenvolvimento psicológico, da família e da cultura. Pesquisas indicam que é mais freqüente em indivíduos de baixo nível sócio econômico, em mulheres, em sociedades industrializadas e urbanas, e em culturas nas quais a atividade física não predominante.
Embora haja atualmente muita controvérsia sobre se há de fato um perfil constante de personalidade no obeso, ele foi descrito classicamente como bastante emotivo, e muito sensível à frustração. Seria um individuo que recorre à comida como forma de compensação do afeto que carece e que sente que nunca o recebe de forma adequada. Outro aspecto seria a utilização da obesidade como defesa contra a depressão ou como busca mágica de força e potência. Entretanto, estes mecanismos não podem ser generalizados.
De modo geral os obesos moderados e graves tem uma auto-estima rebaixada, sentem seus corpos feios e acham que as outras pessoas os encaram com desprezo e rejeição.
Um ponto saliente é que os obesos têm dificuldade em diferenciar a fome de sensações desagradáveis, desconforto e ansiedade de modo geral. Todo mal estar é falsamente percebido como fome.


Violeta Metsavaht Croda – Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade de Caxias do Sul.
Referência: Paulo Delgalarrondo – Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, Artes Médicas Sul, 2000.

Sunday, December 18, 2005

Compulsão Alimentar Periódica



A Compulsão Alimentar é um Transtorno Alimentar que se caracteriza por episódios de excessiva ingesta associada à perda do controle. Durante o comer compulsivo a pessoa não consegue perceber e controlar o impulso que é seguido de angústia e sentimentos de auto-condenação. O ataque compulsivo ao alimento afeta um número elevado de pessoas provocando um intenso sofrimento.

A Compulsão Alimentar está presente na Bulimia Nervosa e em muitos quadros de Obesidade. A etiologia é multifatorial envolvendo fatores biológicos, psicológicos, socioculturais e familiares.

Para o tratamento da Compulsão Alimentar Periódica é necessário uma equipe multidisciplinar incluindo profissionais da Psicologia, Medicina e Nutrição. A intervenção pela abordagem psicanalítica propõe transformar o ato do comer compulsivo numa possibilidade simbólica, isto é, poder traduzir em palavras seu mal estar ao invés de liberá-lo pela via da compulsão.


Rosita Esteves - Psicanalista, Professora da Universidade de Caxias do Sul.

Friday, December 09, 2005

Em segredo

As características peculiares da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo.
Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, geralmente durando menos de 2 horas, acompanhada por uma sensação de falta de controle sobre o ato e, às vezes, feito secretamente, o qual podem permanecer escondidos da família por muito tempo.
A bulimia nervosa acomete adolescentes um pouco mais velhas, em torno dos 17 anos de idade. Pessoas com bulimia têm vergonha de seus sintomas, portanto, evitam comer em público e evitam lugares como praias e piscinas onde precisam mostrar o corpo. À medida que a doença vai se desenvolvendo, essas pessoas só se interessam por assuntos relacionados à comida, peso e forma corporal.
Os comportamentos direcionados ao controle de peso incluem jejum, vômitos auto-induzidos, uso de laxantes, enemas, diuréticos, e exercícios físicos extenuantes. Assim como na anorexia, a bulimia nervosa é uma síndrome multideterminada por uma mescla de fatores biológicos, psicológicos, familiares e culturais. A ênfase cultural na aparência física pode ter um papel importante. Problemas familiares, baixa auto-estima e conflitos de identidade também são fatores envolvidos no desencadeamento desses quadros.
Cheila Tasca - Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade de Caxias do Sul