Você tem fome de quê?
“Condimentos acídulos, temperos picante, cebola, alho, molho forte, folhas recheadas com miolos, orégano – tudo isso: delícias triviais em comparação com um bom pedaço de carne.”
Aristófanes
Alimentar-se é uma condição de sobrevivência para qualquer ser vivo. É uma necessidade real a ser suprida: proteínas, carboidratos, vitaminas. Essa fome aplaca tanto o homem quanto o animal.
O homem, diferentemente do animal, não só sente a necessidade: ele é mitigado pelo desejo. O homem inventou a gastronomia, um discurso alimentar próprio, com a finalidade de ornar o objeto da necessidade: o alimento é transfigurado e desnaturalizado de sua função de suprimento de necessidade para se tornar um objeto de desejo.
No entanto, há um outro vazio, diferente do vazio substancial “anatomizado” e preenchido substancialmente. É um vazio fundido no próprio ser humano, como condição de existir, um vazio de sentido.
A bulímica, através do vômito faz seu corpo vazio, esvazia seu estômago do peso da substância. Nada do objeto-substância pode jamais preenchê-la verdadeiramente. Porque este vazio não é como de um recipiente, senão aquele estrutural, vazio do ser.
Eduardo Bremm - Acadêmico do curso de Psicologia da Universidade de Caxias do Sul
