Anorexia, Bulimia e Obesidade

Sunday, May 06, 2007

Mais, mais, mais ainda...

O comportamento alimentar normal envolve a percepção da sensação da fome, a busca do alimento, a satisfação e o posterior período de saciedade. Este ciclo pode sofrer a influencia de fatores emocionais alterando seu padrão de funcionamento. Uma dessas situações é observada na compulsão alimentar que se caracteriza por uma ingesta desmedida de alimentos. Aí não estamos mais no terreno da necessidade alimentar. É de outra ordem a força que entra em ação e não cessa de ordenar um mais, mais, mais ainda...

Este é o mandato que impera de forma desesperada na compulsão alimentar evidenciando uma falha no controle dos impulsos. Buscar algo em excesso, para além da necessidade, funciona como um ato compensatório frente a um vazio que é sentido com tanta intensidade que promove um movimento de fuga e substituição. Fuga de sensações desagradáveis, insuportáveis através das novas sensações que advém do ataque à comida. A comida entra no lugar de uma falta que é vivida como intolerável e desencadeia a busca de preenchimento sem fim, inesgotável, que só cessa quando começa uma nova sensação – a dor por comer demais.

Uma sensação de vazio interior é confundida com o vazio do estômago e, ilusoriamente, a comida, os doces, os salgadinhos são ardentemente devorados na esperança de uma sensação agradável. A sensação é temporária, a insatisfação persiste e a comida, por mais saborosa que seja não sacia. Sabe por quê? Porque esta fome não é de comida, portanto os alimentos não podem preencher o vazio sentido. Aí é necessário compreender as razões do vazio.

Não é na comida que vamos encontrar a saída para as angústias. Aliás, depois de um ataque desenfreado aos alimentos, o sentimento de descontrole e empanturramento geram desconforto e mais insatisfação. Para romper esse circuito de angústia, insatisfação, comilança e culpa é imprescindível mergulhar no mundo interno procurando as motivações que desencadeiam o mal estar, com vistas a uma saída adequada e satisfatória. Mais que a sensação, é preciso identificar os sentimentos que emergem e impulsionam à busca incessante de preenchimento.


Rosita Esteves
Psicanalista – CRP 07/02637